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EURECA! OS CURIOSOS EXISTEM!

  • Foto do escritor: Renato Tritani
    Renato Tritani
  • 10 de mar. de 2015
  • 4 min de leitura

Numa manhã de sábado, o telefone tocou; não era...


...alguém que tem fetiche em fingir que está marcando programa;

...alguém querendo conversar de graça;

...alguém querendo programas a valores risíveis (como se eu fosse um cara que não se valoriza, e resolveu fazer programas por estar precisando de dinheiro e ter o hábito de transar com muita gente);

...alguém que pegou meu número em outros sites e ligou atrás de informações (quando isso acontece, peço para checarem as abas do meu blog e ligarem se tiverem dúvidas ou quiserem marcar programa);

... alguém ligando de um número restrito (quando isso acontece, atendo e peço para me ligarem de um número visível).


Ou seja: era alguém diferente de 80% (fazendo um cálculo otimista) das pessoas que me procuram! A manhã de sábado não é um horário em que gosto de atuar, mas se o cliente só tem esse período disponível, ponho um sorriso no rosto e vou atendê-lo tão bem quanto os que pedem programa à noite... Confesso que, pela voz, achei que fosse um rapaz jovem. Mas quando cheguei ao motel, surpresa: era um homem bem experiente, de meia-idade (com poucos e brancos cabelos)! Disse ser dentista, que estava em Araçatuba de passagem (mora noutra parte do Brasil, bem longe do Estado de São Paulo), e havia resolvido que me procuraria quando estivesse aqui.


Tomei um banho rápido, devido ao calor daquela manhã, e fui me deitar com o cliente, que não havia ligado a televisão, deixando tocar um som meloso, quase romântico, ao fundo. Entendi que ele curtia um programa ao estilo namoro, com esquentamento progressivo, e entrei naquele papel. Após beijos e amassos, sugeri que fôssemos pra algo mais “profundo”, e ele disse: “Você é quem manda!” Fiquei impressionado com aquela resposta, pois normalmente os clientes gostam de ditar quando cada coisa acontecerá; eu peço permissão para ir além. Alguns até comentavam que eu era muito apressado, o que me deixou intrigado, pois pessoalmente não percebia isso – pelo contrário: sempre achei que andava na velocidade normal, começando pelas preliminares e partindo para as penetrações (quando o cliente gostava de ser penetrado, lógico).


Pois bem: fomos para a sodomia, com todas as preparações necessárias – lubrificante, anestésico (ao contrário do que muitos acreditam, ele não tira o prazer, nem faz o cliente se machucar sem perceber), palavras de motivação, toques estratégicos e muito jeito para entrar... Durante as estocadas houve um “acidente de trabalho”. O cliente ficou sem graça e foi fazer a chuca na hora, porém não quis novas penetrações. Ficamos nos beijos e amassos. No final sugeri que provasse uma de minhas especialidades, deixando-me atuar como barman para servir-lhe uma batidinha de côco a ser tomada no canudão grosso... Ele aceitou! Disse que já havia saído com alguns GP’s, mas nunca experimentara essa opção.


Pus-me em pé e fiquei batendo, preparando a bebida quentinha, de frente ao cliente sentado na cama, olhando o instrumento sendo estimulado pra encerrar o programa de um jeito bem lambuzado. Na hora do gozo, a porra caiu na boquinha dele, que estava louquinho pra tomar o que estava dentro do meu saco – e bebeu tudo bem gostoso, ainda com o canudo na boca, olhando o que estava fazendo. Dei risada e desci da cama, perguntando o que achou da minha porra. “Boa... Salgadinha!”. E fomos pro banho... É irônico que alguns clientes digam que sou muito apressado e peçam calma, enquanto aquele esperava que eu chegasse mandando em tudo, tratando-o como objeto; até expliquei, após o programa, que isso poderia ser combinado anteriormente, já que a maioria dos clientes gostam de mandar no pedaço, dizendo o que querem e quando querem.


O que mais me chamou a atenção naquele dentista foi sua história de vida: após ficar viúvo, começou a acessar sites de garotos de programa e, por simples curiosidade, quis ter uma experiência homossexual! “Pôxa Tritani, você está brincando que nunca viu isso?” Calma, leitor apressadinho. Leia novamente o que escrevi: em nenhum momento disse que ele tinha desejo, e sim uma “simples curiosidade”. Entendeu a novidade? Ele era um autêntico hétero, que nunca quis nada com homens, e após ficar sem esposa começou a pensar em como seria transar com homens. Na falta de desejo, a curiosidade falou mais alto, e de hétero ele passou a “heteroflex”. Ali estava um típico curioso! Minha reação foi imediata: “Então os curiosos existem mesmo...” O cliente se divertiu com minha surpresa (até então, achava que o curioso era um não-hétero querendo sair do armário).


Realmente notei sinceridade nele, e não vejo motivos para que ele mentisse sobre isso a um GP. Isso me leva a pensar, novamente, em como é complexa (e difícil de entender) a sexualidade humana. Todos temos função reprodutiva (salvo raros casos de problema de saúde), mas nem todos temos a heterossexualidade, que é mais um conceito socialmente construído que um estado natural. Muitas vezes, é fácil encaixar os outros nos rótulos de “hétero”, “homo” ou “bi”, olhando seu comportamento e notando seus desejos (que podem ser apenas para o outro sexo, apenas para o mesmo sexo ou para ambos), mas há categorias de indivíduos que, decididamente, estão fora da caixa.


Tritani GP.


 
 
 

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